Andar Dormir Comer Falar

Apneia Colectiva

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Nova criação da Apneia Colectiva que explora ações quotidianas como ponto de partida para subverter os seus condicionamentos, através da efabulação e de práticas psicofísicas e sensoriais. Com uma abordagem multidisciplinar, as artistas exploram diferentes estados de consciência, percepção e relação entre o corpo e o espaço, convidando o público a uma experiência imersiva.

 

*** RESIDÊNCIAS ***

 

SONO SONHO SONO 02.02 – 06.02 (Elizabete Francisca)
ANDAR SONHANDO 16.02 – 20.02 (Joana Levi)
COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL 02.03 – 06.03 (Andresa Soares)
CORPO-HABITAT 16.03 – 20.03 (Julia Salem)
SABER SENTIR 30.03 – 03.04 (Ana Trincão)
MANUAL PARA UM ESTADO OUTRO 27.04 – 02.05 (Tiago Gandra)

 

*** ESTREIA ***

 

24.07 & 25.07
Fábrica da Criatividade (Castelo Branco, PT)

Manual para um estado outro

Tiago Gandra
Campo Cultural de Campilhas, 27 de abril a 2 de maio de 2026

Nesta residência foram vividos momentos entre a natureza, a casa e o estúdio. Entre o ritual e a vida quotidiana, este processo desenhou-se em várias propostas imersivas, individuais e coletivas.

A partir dos pontos cardeais e daquilo que representam — direções, elementos, arquétipos e plantas de poder — todo o espaço foi ativado e consagrado à escuta, à percepção e à energia intrínseca do nosso centro.

O grupo atravessou um processo de preparação assente em práticas de escuta, presença e partilha — entre elas o descanso, a caminhada, a dança, a alimentação, a massagem ritual e a atenção coletiva ao momento presente.

A partir desse estado, partiram rumo à psilocibina como potenciadora e intensificadora entre o mundo humano e não humano. Por lá sentiram, permaneceram e contemplaram. Por fora e por dentro.

Saber Sentir

Ana Trincão
Lisboa, 30 de março a 3 de abril de 2026

Tocar aqui. Ver depois. Ouvir ao mesmo tempo.

Tocar aqui. Ver depois. Ouvir ao mesmo tempo.

Ao longo de cinco dias reflectiu-se sobre o universo dos sentidos, a sua relação com o nosso corpo e com o nosso cérebro, e como se (re)criam e constroem esperiências imersivas. Como é que o nosso paladar, olfacto, tacto, visão e audição se transformam, reagem e moldam a navegação do nosso corpo pelo mundo exterior? Que desequilíbrios tornam os nossos sentidos mais activos? Como é que um corpo em queda absorve essas sensações?

cair
tropeçar
escorregar
adormecer
desmaiar
desequilibrar
ser amparada
mergulhar
atirar-se
ficar sem apoio
por inteiro ou por partes

visão   paladar   olfato   tato   audição

‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ propriocepção

‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ equilíbrio

‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ interocepção

‎ ‎ ‎ ‎nocicepção

‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎termocepção

‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎sensação de pressão

‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎sensação de vibração

cinestesia

 

Massagem aos sentidos

Visão: observar o espaço, olhar para a direita e para a esquerda, globo ocular em almofada de gordura, deixar a imagem pesar

Audição: percorrer a orelha com a ponta dos dedos, explorar flexibilidade dos tecidos, tapar e destapar os ouvidos

Olfato: sentir o cheiro de um alimento

Paladar: sentir o alimento nos lábios, dar uma pequena trinca, sentir a textura com a língua, saborear

Tato: dos pés à cabeça, diferentes texturas, temperaturas, pressões, velocidades

Prática de reconhecimento.

… e RIR

contágio
empatia
resiliência

 

😆

Corpo-Habitat

Julia Salem
São Paulo, 16 a 20 de março de 2026

Abrir.

Fechar.

Da interação corpo-ambiente, investiga-se como (des)condicionar a percepção e repensar o modo como habitamos o espaço, a gestualidade e o tempo. Propõe-se ficcionar a relação corpo-espaço, estranhando o ordinário e familiarizando o extraordinário: “habitação pública”, “intimidade a céu aberto”, “imaginar lugares, sobrepor territórios e sentir presenças” e “corpo-transitório”. Como habitar o espaço público de forma íntima? Como o caminhar pode tornar-se uma prática de pensamento? E de que forma o corpo, ao deslocar-se ou permanecer de maneira dissensual e imaginativa, pode recriar lugares de presença e pertença?

Com a participação de Fabiano Gonçalves e Marina Matheus.
Desenhos e imagens de Pedro Fragoso.

Instruções Cachoeira em Si

Instruções sobre a Liberdade

Instruções para um Estado de Goiabeura

Instruções para um Sacro que Pulsa

Instruções Dança da Jabuticabeira

Encontro com a Emabúmba

Comunicação Não-Verbal

Andresa Soares
Lisboa, 2 a 6 de março de 2026

Clica! Clica! Clica!

...

Desenvolver práticas performativas em processos coletivos sem a utilização da linguagem verbal, centradas na co-habitação, escuta e criação em silêncio, buscando um âmbito de comunicação primordial.

Andar Sonhando

Joana Levi
Castelo Branco, 16 a 20 de fevereiro de 2026

Fechar os olhos para ver mais.

Abrir os olhos para ver menos.

Sono Sonho Sono

Elizabete Francisca
Castelo Branco, 2 a 7 de fevereiro de 2026

Abrir a porta para entrar.

Fechar a porta para sair.

Debruçar-se sobre o acto de dormir para investigar ferramentas de acesso aos sonhos, por forma a experienciar-se o que um corpo manifesta num estado que se rege pela matéria onírica.

Dormir como atividade indissociável do ato de sonhar, de ser-se sonho.

O que diz o sonho? O que dança o sonho? O que vê o nosso sonho? E se pudéssemos transportar de forma mais consciente essas matérias oníricas como fundadoras da vida, ao invés de lógicas racionais e capitalistas? Que corpos e cosmovisões nos habitariam?

Sei que era uma performance ou um ensaio que se está a partilhar com pessoas, mas não era um teatro era algo mostrado numa casa e as pessoas estavam sentadas no chão a ver e sei que que era preciso decidir coisas e a situação repetiu, ou seja, fez-se essa apresentação pelo menos duas vezes. Não sei se houve mais, agora não me estou a recordar. Uma estava a ver de fora, e outra fiz eu. Sei que os performers são duas pessoas. Supostamente eu e outra pessoa que não conheço. Quer dizer eu conheço, não estou a reconhecer, é alguém de cabelo curto. Parecida com a Carol, o Carol, mas sem ser. Tinha o cabelo escuro. E uma das vezes fez a Cátia Mateus, imagina... e a minha irmã e da segunda vez então fui eu e essa pessoa que não reconheço. Lembro melhor de quando estive a ver, mas sei que estive de fora e estive dentro. Há um momento em que se está a ver um ecrã, tipo… uma televisão. E quem está a ver vê entrecortado. Como se houvesse uma parede com uma porta ou um arco, acho que uma porta sem porta, uma abertura. E há coisas que se passam de um lado e outras que se passam de outro e só se vê partes. E lembro-me de achar que esse ecrã estava demasiado virado de lado e que então não tinha muita visibilidade. Mas não me lembro mesmo é da parte performativa, mas sei que da segunda vez, aquela que eu fiz, a malta estava muito caladinha, aquela sensação de não sei… e aquilo era suposto ter graça. No entanto não me lembro propriamente da performance, e acho que nem houve propriamente mas no sonho sei que era essa a situação. E então disseram que da primeira vez teve muito mais graça e eu dizer, bom então o problema sou eu. E no final a malta levanta-se e lembro-me que estava a Joana Braga. É isso deviam ser amigos a ver porque era uma coisa informal. Mas lembro-me de a ver a levantar-se muito especificamente. E depois aparece o João Ferro. Muito alto e eu digo, “estás buéda alto” mas depois olho para os pés dele e ele não só está com uns sapatos com tacão, de madeira, o tacão é de madeira, como estás com o calcanhar descalço. Assim como quando as crianças enfiam os sapatos ou quando o sapato não cabe e fica-se com o calcanhar de fora. E ele muito normalmente responde – Ah é que eu vou falar. E aquilo explicou a situação. Ele ia falar, como se fosse uma conferência, e então era por isso. E depois lembro-me ainda que ele tinha estado num outro evento, ao pé, algo que estava a acontecer. E ele diz que está ali não sei quem, vai lá falar com ele. Isto porque eu precisava de um capacete de mota, mas não sei para quê. Não sei se tem a ver com o início do sonho. Mas eu precisava de um capacete de mota. E pronto, acordei. Sei que o ambiente da performance era branco, as roupas eram brancas, ou claras. Acho que na performance estava alguém em frente desse ecrã, mas que não se vê porque está entrecortado por essa porta

Serão os sonhos uma espécie de ensaio emocional, de forma ao corpo revisitar questões incompletas e não resolvidas? Serão os sonhos uma espécie de teatro primitivo? Estarão livres de censura? Até que ponto os sonhos são condicionados pela percepção individual de cada pessoa sobre o mundo e sobre as coisas? Sendo assim qual o limite dos sonhos? Será possível descondicionar o que sonhamos? Será o próprio acto de criar, um acto de aceder ao sonho e aos espaços limiares? O que acontece ou o que é necessário acontecer neurologicamente para as pessoas adormecerem? O que acontece na passagem do estado de vigília para o estado do sono? Ou como é que a consciência flutua durante a transição de vigília para o sono? Como se forma a experiência onírica no cérebro? E os pensamentos? Os sonhos (ou pensamentos e até ideias) são processados diferentemente quando só são sonhados? Ou são processados diferentemente quando são também verbalizados ou expressos de outra forma? (uma forma para fora de si?) Se a actividade cerebral que se dá quando se sonha é semelhante quando se está acordado, porque é que só se sonha quando se dorme? A expressão “sonhar acordado” terá que ver com este fenómeno? Porque é que há pessoas que se lembram dos sonhos e outras não? Neurologicamente qual a importância do acto de sonhar? Qual o impacto de dormir bem no cérebro. E do seu inverso? Para nos mantermos vivas a que sonhos recorremos?

Manhã

Registar os sonhos pela manhã. Escrever ou falar, palavras ou desenhos.

Reparar no acordar. Experienciar o momento de transição calmamente. Manter os olhos fechados. Não se mexer.

A memória recolhe imagens, sons, palavras. Nidra Yoga pode ajudar na atenção e na sensação de presença.

Fotografar a cama ou o corpo na cama.

Noite

Preparar o quarto para a noite. Substituir a luz fria dos ecrãs pela luz quente de velas. Difundir essência de lavanda.

Descondicionar o corpo-mente. Exercícios de respiração para relaxamento profundo.  Quinze minutos de Nidra Yoga. Afirmar para si a intenção de sonhar: Hoje vou sonhar. Sonhar muito. Sonhar demais. E pela manhã anotarei os meus sonhos. Soprar a vela. Deixar-se adormecer.

A mente vagueia no limiar entre o estar acordada e o adormecer o estado hipnagógico. Pode anotar-se essa deriva.

A noite é nossa.

Com o que sonhaste hoje?

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Sonhos partilhados

  • José Blanco sonhou:

    Registo isto apenas um dia depois, não na manhã a seguir ao sonho.

    Sonhei que um amigo, pai de vários filhos, tinha concluído, fria e imperiosamente, que o seu primogénito, por razões misteriosas, tinha de morrer de alguma forma – que forma? Na surrealidade do sonho, sem que eu me desse conta de que estava a sonhar, a forma flutava entre “secreto”, “idiota” ou “aparentemente acidental”. A isto somava, descobri ao longo do sonho, que o menino, seu filho, tinha uma doença de algum tipo, algo “mau” e “inevitável” se ele chegasse a adulto/velho.
    Depois, para somar a uma lista de incongruências, e para defintivamente acentuar e prolongar o horror, descobria que este meu amigo ia causar a morte do filho. Num momento, pela sua própria mão (de forma bem “bíblica”, com uma faca), noutro, por encomenda a um senhor rude do campo que tinha uma vara com uma extremidade maior e arredondada.
    No sonho eu não tinha voz para intervir, apenas para perguntar. “Porquê?”, “Mas porquê?”. Em nenhum momento pensei “este meu amigo está louco!”. O sonho não chegou a um “fim”, porque o presente e o futuro confundiam-se: o menino já morreu? Ainda não morreu? E ficou sempre a tenebrosa sensação de eu não poder, ou sequer ponderar, intervir, e apenas poder esperar impotente, calado, agoniado e incrédulo.
    Acordei e foi um sonho que me deixou ainda meia hora a pensar “foi real?”, mesmo com a surrealidade de tudo. Foi assombroso, no pior dos sentidos.

  • Jorge Valverde sonhou:

    Un vendedor de pinturas de Halloween me vende una pelota botabota que bien podría ser un ojo. Le digo que me gustaría pintarla de rojo y con un silencio incómodo, me termina por forzar a que saque el bote de pintura roja que traía de casa: es de maleducados decirlo, pero también no hacerlo… debería haber invitado a su pintura roja. Al final, en un achaque de lucidez y de rabia por lo absurdo del asunto, le digo que querría probar otro rojo, que es la oportunidad ideal para probar otra tonalidad y así saber qué me gusta para la siguiente compra, que es lo que cualquier tienda haría, y que si no lo hace, no compraré nunca más en su tienda. Como es razonable. En silencio, va hacia el mostrador, intuyo que a coger un rojo. Por cómo se ha ido, creo que está molesto conmigo, cuando soy yo el que debería estarlo con él. Me despierto a las 7:27.

  • Charline Barnabé sonhou:

    Depuis toujours, j’aime me plonger dans les univers imaginaires. Ils me permettent de m’échapper du quotidien, d’apprendre autrement et de toucher le réel d’une manière différente, à travers les rêves.

    Vers l’âge de dix ans, je jouais énormément sur ma Nintendo DS. Un jeu en particulier a laissé une empreinte profonde dans l’histoire que je vais raconter : The Legend of Zelda: Phantom Hourglass (2007).

    Dans ce rêve, je me suis retrouvée dans une salle immense, carrée, dont la structure rappelait les donjons du jeu. Je pouvais explorer les angles, jouer avec les perspectives, mais deux éléments étaient cruciaux : des spectres qui erraient tout autour de moi et de vieilles valises éparpillées au sol, remplies d’objets anciens et de souvenirs. Tout avait un aspect très vintage, chargé de mémoire.

    Les spectres étaient impossibles à combattre avec une arme. Chaque tentative échouait. J’essayais de fuir, mais quelque chose de plus puissant que moi me retenait prisonnière. La peur était palpable, et pourtant… je sentais que la solution n’était pas dans la lutte.

    En fouillant les valises, j’ai fini par comprendre la clé de ma quête. Le passé n’est pas toujours un fardeau dans une valise : sa mémoire peut permettre de dépasser la peur. Ici, j’étais terrifiée par l’invincibilité apparente des spectres alors qu’au fond, eux aussi voulaient sûrement sortir autant que moi de cet endroit lugubre et froid, fait uniquement de pierres. C’est en comprenant cela que j’ai trouvé la sortie. Enfin… je me suis réveillée, toute sonnée de cette étrange aventure. Et contente aussi. J’ai compris sans comprendre.

  • Edna sonhou:

    Sonhei que estava com dois amigos dentro de um carro, à beira-mar, num dia de céu cinzento e maré baixa. Parecia na praia do pescador.
    Quando nós os três olhámos em direção ao mar, vimos um urso gigante, azul-índigo, a correr para o carro.
    Era belo e magnífico, como uma luz muito forte em movimento.
    Acordei muito assustada, com o urso a tentar entrar no carro.

  • Fabiano Gonçalves de Castro sonhou:

    Estava numa clareira no meio de uma floresta que era próximo ao mar, vi três cobras gigantescas, duas indo embora da clareira para dentro da floresta, e uma vindo em direção a esta clareira por cima de umas pedras.

  • Joana Franco sonhou:

    Estou a assistir a um espetáculo. Estou com a minha mãe. Ela está sentada numa cadeira da plateia. Eu estou sentada do lado esquerdo dela, mas num degrau do corredor.

    A atriz principal do espetáculo é a Anne Hathaway. Ela está vestida com um vestido rosa choque. Nalgum momento, eu reparo que os nossos vestidos são parecidos, porque eu estou vestida com o meu vestido preto de botões e folhos (real) e o dela é uma versão parecida mas cor de rosa.

    No espetáculo, a Anne fala muito (é uma espécie de monólogo) e entra e sai de palco muitas vezes. O espetáculo tem também um coro de homens, que parece uma mistura entre um grupo de canto alentejano e uma tuna universitária. Eles vão pontuando o espetáculo com harmonias a várias vozes, mas só de uma palavra (portanto, apontamentos muito pequenos).

    Há um momento em que a Anne meio que se começa a perder no texto, mas isso não muito perceptível para o público. Só que o coro faz a sua intervenção musical com a palavra que eventualmente estaria certa. Talvez fosse para ajudar a Anne, mas o público percebe e começa a rir.